Direito do Trabalho
Justa causa: o que é e quando pode ser aplicada
· Por Érica da Cruz Feitosa Carvalho, OAB/GO 65.260
Justa causa é a demissão motivada por falta grave cometida pelo empregado, nas hipóteses previstas na CLT, como ato de improbidade, insubordinação e abandono de emprego. Por envolver comportamento grave do trabalhador, ela reduz as verbas rescisórias e, para ser válida, precisa ser aplicada de forma imediata e proporcional à falta cometida.
O que é justa causa?
Justa causa é a modalidade de demissão em que o empregador encerra o contrato por falta grave do empregado, com fundamento nas hipóteses listadas na CLT. É a penalidade mais severa aplicável ao trabalhador e, por isso, a lei exige que a conduta seja suficientemente grave para tornar inviável a continuação do vínculo.
Quais condutas podem levar à justa causa?
A CLT traz um rol de condutas, como ato de improbidade, mau procedimento, insubordinação ou indisciplina, abandono de emprego, condenação criminal transitada em julgado, embriaguez em serviço e violação de segredo da empresa. A lista é taxativa: condutas fora dela não autorizam a justa causa, e cada situação é avaliada conforme a gravidade e o contexto.
A falta precisa ser recente e comprovada?
Sim. A jurisprudência trabalhista exige que a punição seja aplicada de forma imediata ao conhecimento da falta, sob pena de se entender que o empregador perdoou a conduta. Também é necessário que a falta esteja comprovada e que a pena seja proporcional, sem dupla punição pelo mesmo fato.
Quais verbas o trabalhador recebe na justa causa?
Em regra, o empregado demitido por justa causa recebe apenas o saldo de salário dos dias trabalhados e as férias já vencidas, quando houver. Ele perde aviso prévio, férias proporcionais, décimo terceiro proporcional, a multa sobre o FGTS e o acesso ao seguro-desemprego, o que mostra o impacto dessa modalidade de desligamento.
O que fazer ao receber uma demissão por justa causa injusta?
O trabalhador que entende não ter cometido falta grave pode discutir judicialmente a reversão da justa causa, buscando a conversão em demissão sem justa causa e o pagamento das verbas correspondentes. A análise depende das provas disponíveis, como testemunhas, registros e advertências anteriores, e é feita caso a caso.
Perguntas frequentes
